Via Aérea na PCR: se for intubar, que seja de primeira

Escrito por José Sérgio Carriero Junior

Este blog completou quatro anos de existência no último dia 02 de outubro e o tema “Via Aérea na Parada Cardíaca” é tratado por aqui anualmente desde 2017 (ao final deste post, vou deixar os links dos outros já publicados sobre esse tópico). Confesso que é um dos meus assuntos preferidos. Dessa vez, vou apresentar os dados de um estudo1 recentemente publicado na revista Resuscitation e que avaliou a influência do número de tentativas de intubação durante a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) na sobrevida de pacientes em parada cardíaca extra-hospitalar (PCREH), sobretudo aqueles com status neurológico favorável. Mesmo lendo este post, sugiro que você leia também o artigo completo (aproveite, pois, até o momento, ele está disponível gratuitamente neste link).

Veja abaixo um resumo com as principais informações sobre o estudo:

PCREH: parada cardíaca extra-hospitalar; RCP: ressuscitação cardiopulmonar; CPC: Categoria de Performance Cerebral (CPC 1 = recuperação completa ou incapacidade leve e CPC 2 = incapacidade moderada, mas independente para as atividades de vida diária)

Os resultados foram os seguintes:

SAV: suporte avançado de vida

Mais resultados:

CPC: Categoria de Performance Cerebral (CPC 1 = recuperação completa ou incapacidade leve e CPC 2 = incapacidade moderada, mas independente para as atividades de vida diária)

Os autores concluíram que o aumento do número de tentativas de intubação durante a RCP de vítimas de PCREH foi associado à menor chance de sobrevida com status neurológico favorável.

Comentários para a prática do dia a dia

-Pelas recomendações mais atuais, em termos de via aérea avançada na PCR, podem ser utilizados tanto um dispositivo extraglótico quanto a intubação traqueal;

-O que esse estudo mencionado anteriormente agrega é o que já sabemos para as  intubações de pacientes que não estão em PCR: intubar na primeira tentativa precisa ser o nosso objetivo em qualquer intubação de emergência, pois quanto mais tentativas, mais eventos adversos e consequentemente piores desfechos para os pacientes;

-Intubar “de primeira” durante a RCP exige treino, paciência e capacidade de coordenação do atendimento, compreendendo que a intubação não vai ser a prioridade antes de garantir uma RCP de alta qualidade e de desfibrilar o paciente, se o ritmo for chocável;

-Em resumo: na PCR, durante a RCP, se for intubar, que seja na primeira tentativa, pois isso aumenta a chance de o paciente sobreviver à alta hospitalar com status neurológico favorável (CPC 1 ou 2).

Quer ler mais sobre esse assunto? Acesse:

Manejo da Via Aérea durante a Ressuscitação Cardiopulmonar no Atendimento Pré-Hospitalar (2017);

Bolsa-Válvula-Máscara versus Intubação Endotraqueal durante a Ressuscitação Cardiopulmonar – CAAM Trial publicado – muito mais dúvidas do que certezas (2018);

“Sobrevivendo nos Tópicos” – Entrevista com Scott Weingart sobre Manejo da Via Aérea na Parada Cardíaca (2019);

Via Aérea na Parada Cardíaca – Atualizações 2019 no Suporte Avançado de Vida (2020).

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Referência

1-Murphy DL et al. Fewer Tracheal Intubation Attempts are Associated with Improved Neurologically Intact Survival Following Out-of-Hospital Cardiac Arrest. Resuscitation. 2021 Oct;167:289-296.

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